Carolina Sanchez Miranda (Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 8)
São Paulo, 26 de Setembro de 2005 – Pesquisa norteou conceito que ajuda líderes a se adaptar às mudanças constantes. Agilidade! Essa é a principal competência que um líder no atual cenário corporativo deve ter, de acordo com a pesquisa realizada pela Lee Hecht Harrison, consultoria internacional, parceira da Mariaca & Associados no Brasil. “O executivo está sujeito a mudanças constantes, decorrentes de novas estratégias da empresa, fusões, aquisições e crises econômicas. Nesse cenário, a agilidade é mais importante até do que a flexibilidade. Porque é uma ação pró-ativa e não reativa”, explica Irene Ferreira Azevedo, sócia-diretora da Mariaca & Associados e professora de liderança e investimento da Brazilian Business Scholl (BBS). O estudo procurou avaliar de que maneira os principais executivos das empresas têm lidado com os desafios impostos pelas constantes mudanças a que estão sujeitos por conta de fusões, aquisições, escândalos corporativos e recessões econômicas. Para isso, foram ouvidos 100 executivos sêniores, de 92 companhias multinacionais, representando 14 setores da lista Fortune 500. Entre os entrevistados, a maioria (65%) exercia função de CEO (Chief Executive Officer), COO (Chief Operating Officer), CFO (Chief Financial Officer) e presidente. Os demais se reportavam diretamente a eles. Ficou claro que a tradicional abordagem de autoridade, tomada de decisão e planejamento está ultrapassada. Saber como elaborar uma estratégia, comunicá-la e colocá-la em prática, apesar de importante, não é mais suficiente, na visão dos executivos. Mas eles não conseguiram chegar a um consenso a respeito de um novo modelo de liderança. Isso ocorreu porque, em sua rotina de trabalho precisa ter um comportamento diferente em cada situação. Não há como seguir uma fórmula. Os executivos entrevistados, por exemplo, apontaram a necessidade de serem controladores, mas apenas com a operação do negócio e não com a equipe. Eles disseram ter que manter uma postura aberta a pontos de vista diferentes sem, no entanto, deixar de tomar medidas restritivas para direcionar as pessoas a uma ação única. Também é constante o desafio de assumir riscos ao mesmo tempo em que se cumpre a tarefa de proteger os negócios. Nesse contexto, a Lee Hecht Harrison propõe uma nova estrutura de liderança chamada de “núcleo e borda”, na qual não há comportamento ideal. Com base em uma análise de sua visão, missão e objetivos estratégicos, a companhia elenca alguns comportamentos que considera desejáveis para que seus líderes desempenhem bem a função. A partir daí, é feita uma avaliação 360° dos profissionais para alinhar suas competências às necessidades da organização. Um coaching aprimora as habilidades desse profissionais e finaliza o processo. No Brasil, algumas empresas, como a Ecolab e a Jones Lang La Salle fizeram esse trabalho com a Mariaca e avaliaram positivamente o programa. “O resultado foi significativo porque deixou claro qual é a cultura da empresa, o que ela espera de seus executivos e qual o perfil dos diretores. Além disso, tornou possível a eles identificar suas deficiências e se alinhar ao perfil da organização”, conta Sandra Ralston, COO da Jones Lang. Se para companhia os resultados foram bons, para os executivos que passaram pelo coaching, foram ainda melhores. “Considero o coaching executivo uma espécie de terapia por que te ajuda a refletir sobre a imagem que os outros têm de você, que é diferente da maneira como você próprio se vê “, diz Sandra, que também passou pelo treinamento.
Por conta desse conflito entre a auto-imagem do executivo e o resultado da avaliação feita por seus pares e subordinados, no início do treinamento é comum haver uma certa resistência. O importante é que o executivo esteja aberto a ouvir as sugestões do coach, que, assim como um terapeuta de verdade, têm sessões periódicos com o profissional, nas quais o objetivo é conversar, refletir sobre seu dia-a-dia e pensar em soluções para os conflitos. Tudo isso norteado pelos objetivos traçados na avaliação 360°. “No primeiro momento você acha que não precisa e pensa, do alto de sua experiência, o que é, afinal, que posso aprender sobre minha equipe se fui eu mesmo quem a formou?”, lembra Francisco dos Santos, gerente da divisão institucional da Ecolab. “Como estava aberto a ouvir e meu coach a escutar, logo comecei a entender onde precisava melhorar.” O programa de desenvolvimento de liderança foi contratado para auxiliar Santos a mudar o posicionamento da unidade. “A percepção de que estava controlando muito minha equipe e me dedicando pouco a tarefas em que minha atuação era realmente importante fez com que delegasse mais e, assim, os engajasse mais no realinhamento estratégico”, afirma. “Ficou claro que eu precisava ouvir mais as pessoas. E não tenho problemas em falar sobre isso porque sei que a maioria dos executivos na minha posição têm dificuldade com isso porque precisam eleger prioridades a todo momento para conseguir cumprir todas as tarefas”, comenta Sandra. “Às vezes cometemos erros bobos por não dar atenção a uma observação que alguém tentou fazer.” Antes de assumir o cargo de gerente da divisão de eliminação de pestes da Ecolab, Victor São Jorge, também foi beneficiado pelo programa. Ele era diretor de RH e precisava adequar seus comportamentos a uma nova realidade de gestão. “Lidar com clientes internos é totalmente diferente de lidar com clientes externos e ainda gerenciar uma equipe”, declara. E é no caso dele em que fica mais clara a importância de desenvolver a agilidade. “De repente tinha que definir prioridades rapidamente e tomar decisões diante de clientes, que me obrigavam a assumir riscos. Antes, podia fazer consultas aos altos níveis da organização”, diz. “Durante um dia de trabalho, estamos diante de diferentes situações. Aprendi que a fazer uma leitura da pessoa com quem tenho que me relacionar naquele momento e rapidamente me adaptar ao estilo dela”, conclui. Para Irene, da Mariaca, o coaching ajuda o executivo a desenvolver a liderança porque promove o auto-conhecimento. “A liderança passa primeiro pelo auto-conhecimento. Você não lidera ninguém se não se liderar. E são poucos os que efetivamente se conhecem, por isso existe a necessidade de realizar esse treinamento”, ressalta. kicker: Processo de coaching leva executivo a adquirir maior consciência do ambiente em que atua e incorporar a agilidade